segunda-feira, 17 de setembro de 2012

FÊNIX: O PÁSSARO FERIDO

E ao ressurgir de dentro de mim, sacudi as cinzas e brilhei novamente...
Era chegada a hora de alçar novos vôos , buscar novos horizontes e trilhar novos caminhos e então o pássaro adormecido fez de si um gigante sem medo.
 Fora por muito tempo enganado pelos outros e por si, pensava que a emoção deveria ser ocultada, que não tinha o direito de buscar o que queria...triste engano. Enganado sim !!! Pelos outros , pois eles o faziam achar que não era forte o suficiente, então na sua ingenuidade de quem se doa demais acreditou que perdera todos os seus dons naturais, foram criando-se feridas e desmoronando sonhos . E o pior de tudo, enganado por si, pois deixou que o pensamento alheio se tornasse o seu, assim foi sucumbindo às armadilhas das ilusões perdidas.
O pássaro viu suas asas ficarem pesadas, e num determinado momento já não as conseguia levantar, precisava daqueles  que o enganavam para fazer as coisas mais simples de sua rotina. Ele viu também seu dorso petrificar, então foi baixando a cabeça, perdeu sua mobilidade e a capacidade de ver ao redor, caíra num abismo e sem poder ver o que cercava nem podendo alçar voo , desabou...
Os anos se passaram , o pássaro ficara no limbo e perdera a noção do tempo. Ah, o tempo! Esse bem tão precioso que ele não teria de volta jamais, aquele que escorrera entre seu olhar perdido, pois ele estava em completo estado de catatonia. Foram embora os segundos, os minutos, as horas, os dias... e ele, por vezes conseguia numa fração de milésimos de segundo pensar que ainda vivia, triste ilusão de quem não enxerga a realidade.
Fora acolhido em outro ninho, pois já não tinha forças para prosseguir sozinho, recebeu amor, carinho, mas parecia não ser suficiente, talvez o fosse e ele não quisesse regressar. De qualquer forma , ainda que perdido em sua dor (MUITA DOR!!!), ele conseguia ainda sentir um sopro de vida , tinha o afã de respirar e por vezes parecia que iria despertar, mas no seu âmago sabia que algo maior lhe faltava, muitas vezes queria regressar para o seu lar. A resposta não tardou, então criatura buscou ao Criador, no começo relutou, mas após um certo período estava absorto no amor mais pleno que existe, sentia agora que estava sendo restaurado.
E o pássaro que na frente do espelho em vão tentava esboçar um sorriso, que procurava brilho em seus próprios olhos, agora conseguia ter sensações e percebeu que ainda tinha emoções. O Criador, que tudo sabe e tudo vê, no tempo certo fez daquele pássaro ferido um pássaro de fogo, fê-lo levantar novamente, sarou suas feridas e lhe colocou dentro do peito o entendimento de muitas coisas que estavam ocultas, retirou a venda de seus olhos  e o pássaro viu que não queria e nem podia mais ser enganado, principalmente por ele mesmo.
 Era o começo de um novo tempo... o pássaro tomou consciência de sua plenitude e restaurado livrou-se daquilo que fazia seu corpo e sua mente pesar, pode então reaprender a voar. Foi adquirindo confiança em si e naqueles que mereciam , aprendeu que o que passou não vai voltar e que precisa buscar se feliz por inteiro o tempo inteiro. Aprendeu finalmente amar em primeiro lugar o seu Criador, em segundo lugar a si, somente assim pode amar a outros, pois só se pode doar o que se tem , mas sempre em doses certas, sem exageros, nem mesquinharias.
Hoje passado algum tempo o pássaro já alçou novos vôos, inclusive conquistando céus nunca antes por ele perseguido, e cada dia é um novo aprendizado , no qual ele deposita esperança e ainda acredita no amor dos homens, pensa que se cada um fizer uma parte o todo será algo indizível... mas claro que tudo isso com uma dose de prudência, pois o pássaro não que se ferir de novo.